RPV trabalhista liberada: quais são os próximos passos até o dinheiro chegar na sua conta?

Homem sorri ao ver "RPV trabalhista liberado" em notificação no celular.

 

Receber a notícia de que a Requisição de Pequeno Valor (RPV) trabalhista foi liberada é, sem dúvida, um alívio e a expectativa de que o dinheiro está a caminho. No entanto, entre a liberação judicial e o efetivo saque do valor, existem algumas etapas importantes que o beneficiário precisa conhecer. Este artigo detalha o fluxo processual, desde a expedição da RPV até o dinheiro na sua conta, e o que fazer em caso de atrasos. 

O que é a RPV Trabalhista e o seu prazo?

A RPV trabalhista é uma ordem de pagamento emitida pela Justiça do Trabalho para quitar dívidas de pequeno valor de entes públicos (como a União, autarquias federais ou empresas públicas) decorrentes de condenações judiciais. Diferente dos precatórios, a RPV não entra em fila orçamentária e possui um prazo legal de pagamento mais curto: até 60 dias a partir da intimação do ente devedor.

Os próximos passos até o dinheiro chegar na sua conta

Após a liberação judicial, a RPV trabalhista segue um caminho bem definido. Compreender cada etapa ajuda a gerir a expectativa e a acompanhar o processo:

passo a passo

 

  1. Expedição e Processamento da RPV

Uma vez que a decisão judicial se torna definitiva (trânsito em julgado) e o valor devido é apurado e homologado, o juiz da execução expede o ofício de RPV. Este documento é o que formaliza a requisição de pagamento. Contra a União e autarquias federais, este despacho pode passar pela Presidência do Tribunal. Contra os estados e municípios, o próprio juízo da execução processa a RPV diretamente.  

  1. Intimação do Ente Devedor

Após a expedição, o órgão público devedor é formalmente notificado (intimado) sobre a RPV e o valor a ser pago. É a partir desta intimação que começa a contar o prazo legal de 60 dias para que o pagamento seja efetuado. 

  1. Depósito em Conta Judicial

Dentro do prazo de 60 dias, o ente devedor realiza o depósito do valor da RPV numa conta judicial, geralmente aberta em nome do beneficiário em bancos como a Caixa Económica Federal ou o Banco do Brasil. Esta conta é vinculada ao processo judicial e o dinheiro fica sob custódia da Justiça até a autorização de saque. 

  1. Liberação para Saque

Após o depósito, o juiz responsável pelo processo precisa emitir um alvará de levantamento ou uma ordem de pagamento, autorizando o saque do valor. Esta etapa é crucial, pois sem a autorização judicial, o banco não pode liberar o dinheiro. O advogado do beneficiário é quem geralmente acompanha e solicita essa liberação.  

  1. Saque do Valor

Com o alvará em mãos, o beneficiário pode dirigir-se à agência bancária indicada no processo (Caixa Económica Federal ou Banco do Brasil) para efetuar o saque. É importante levar documentos de identificação com foto (RG ou CNH), CPF e comprovante de residência atualizado. Em alguns casos, o banco pode levar até 48 horas para liberar o saque após a apresentação dos documentos.

Descontos que podem incidir sobre o valor

É importante notar que o valor depositado pode não ser o valor bruto inicialmente reconhecido. Alguns descontos podem incidir legalmente sobre a RPV trabalhista: 

  • Imposto de Renda (IR): Calculado pelo regime de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), que dilui o valor ao longo dos meses a que se refere a dívida, podendo reduzir a alíquota. Juros de mora são isentos de IR. 
  • Contribuição Previdenciária (INSS): Incide apenas sobre verbas de natureza salarial (ex: horas extras, salários atrasados). Verbas indenizatórias (ex: FGTS, férias indenizadas, danos morais) são isentas. 
  • Honorários Contratuais: Se o advogado solicitou o destaque dos honorários contratuais antes da expedição da RPV, a parte dele é retida na fonte e paga em conta separada. 

 

No momento do saque, a instituição financeira deve fornecer um demonstrativo detalhado com o valor bruto, as retenções legais e o valor líquido efetivamente pago.

Possíveis atrasos e o que fazer

Embora a RPV tenha um prazo legal de 60 dias, atrasos podem ocorrer. As causas mais comuns incluem: 

  • Falta de orçamento governamental: Em períodos de restrição, o órgão pode adiar o pagamento. 
  • Atrasos nos repasses de verbas: Mesmo com prioridade, a RPV pode entrar em fila de espera. 
  • Processo não transitado em julgado: Se ainda houver recursos, o pagamento é adiado. 
  • Etapas burocráticas internas: Cálculos, conferência de valores e trâmites podem demorar. 
  • Acúmulo de processos no tribunal: Grande volume de demandas pode retardar a liberação. 
  • Lentidão na atualização de sistemas eletrônicos: Dificulta o acompanhamento do status. 
  • Pendências na documentação ou erros nos dados do beneficiário: Podem levar ao bloqueio ou cancelamento da RPV. 

O que fazer em caso de atraso ou bloqueio?

Se o prazo de 60 dias for excedido ou a RPV for bloqueada/cancelada, é fundamental agir: 

  1. Contactar o advogado: Ele é a pessoa mais indicada para verificar o status do processo e identificar a causa do atraso. 
  2. Verificar o andamento processual: O advogado pode consultar o processo nos portais dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) ou do Tribunal Superior do Trabalho (TST). 
  3. Solicitar sequestro judicial: Se o ente público não pagar a RPV no prazo de 60 dias, podem incidir juros de mora e o credor pode solicitar ao juiz o sequestro judicial dos valores, uma medida direta contra o descumprimento. 
  4. Considerar a cessão de crédito: Para quem não pode esperar, a cessão de crédito permite vender a RPV a uma empresa especializada, recebendo o valor (com deságio) de forma imediata. 
     

Etapa 

Descrição 

Prazo Estimado 

Trânsito em Julgado e Apuração 

Decisão definitiva e cálculo final do valor. 

Variável (depende do processo) 

Expedição da RPV 

Juiz emite a ordem de pagamento. 

Variável (após apuração) 

Intimação do Ente Devedor 

Órgão público é notificado da dívida. 

Imediato (após expedição) 

Depósito em Conta Judicial 

Ente devedor deposita o valor. 

Até 60 dias (a partir da intimação). 

Liberação para Saque (Alvará) 

Juiz autoriza o saque. 

Variável (após depósito, depende da vara) 

Saque no Banco 

Beneficiário retira o dinheiro. 

Até 48h (após apresentação de documentos). 

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre RPV Trabalhista Liberada

 

Quanto tempo demora para o dinheiro cair na conta após a RPV ser expedida? 

O prazo legal é de até 60 dias a partir da intimação do ente devedor. Após o depósito em conta judicial, o saque no banco pode levar até 48 horas. 

Preciso de alvará para sacar a RPV? 

Na maioria dos casos, sim, o juiz emite um alvará de levantamento. No entanto, a Resolução 822/2023 do CJF permite que, em algumas situações, o saque seja feito diretamente pelo beneficiário ou advogado, mediante apresentação de documentos, sem a necessidade de alvará específico. Consulte sempre seu advogado. 

O que significa RPV bloqueada? 

RPV bloqueada pode indicar pendências na documentação, erros nos dados do beneficiário ou ações judiciais que determinam a penhora do valor. É crucial contactar seu advogado para entender o motivo e regularizar a situação. 

A RPV trabalhista tem correção monetária? 

Sim, a correção monetária incide desde a data do cálculo até o efetivo pagamento. Em caso de atraso no pagamento (após os 60 dias), juros de mora adicionais também são aplicados. 

Posso vender minha RPV trabalhista? 

Sim, a cessão de crédito é um direito previsto em lei. Você pode vender sua RPV a uma empresa especializada e receber o valor à vista, com deságio, sem precisar esperar o prazo legal. 

Conclusão

A liberação da RPV trabalhista é um marco importante, mas não o fim do caminho. Conhecer os passos seguintesprocessamento, depósito, liberação para saque e os possíveis descontos é essencial para o beneficiário. Em caso de atrasos, a comunicação com o advogado e a compreensão das opções disponíveis, como a cessão de crédito, são fundamentais para garantir que o dinheiro chegue à sua conta da forma mais eficiente possível.

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